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Flávio pediu ao mundo livre que vigiasse a eleição brasileira

Na CPAC e em Washington, Flávio ofereceu parceria em terras raras como alternativa à China e pediu que estrangeiros acompanhassem a eleição brasileira.

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Artigos de opinião expressam a visão de seus autores, identificados pelo nome, não necessariamente a da Revista Nação.

Close de Flávio Bolsonaro, de terno e gravata, diante de vários microfones de emissoras durante entrevista.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista no Senado, em Brasília, em 30 de abril de 2026.Foto: Andressa Anholete / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 28 de março de 2026, na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, Flávio Bolsonaro disse que o Brasil pode ser a saída da América para a dependência da China em terras raras. Na mesma fala, pediu que o “mundo livre” acompanhasse a eleição brasileira. Em 2025, ele já tinha agradecido a Trump pelo tarifaço e depois apagou a postagem.

Terras raras são minerais usados em ímãs, celulares e carros elétricos. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo, atrás apenas da China, segundo a MINING.COM. Minério estratégico exige mais que slogan de palanque. Nós, que defendemos a soberania, não precisamos pedir a estrangeiro que vigie a nossa urna.

O que ele ofereceu em Washington

Em 26 de maio de 2026, Flávio esteve na Casa Branca com Donald Trump. No dia seguinte, encontrou o secretário de Estado, Marco Rubio. Nessa viagem, prometeu parcerias de longo prazo com os Estados Unidos em terras raras, com “investimento protegido”. Também pediu que o governo americano classificasse o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

Oferecer uma parceria não é entregar o recurso, e a diferença importa. Mas uma oferta feita em palco estrangeiro, em plena campanha, antecipa a posição do Brasil antes de qualquer negociação oficial. O que está documentado é uma promessa de parceria, e não um contrato.

Há ainda um documento. Uma apresentação de 22 páginas, com a marca “Flávio Bolsonaro, 2026 Campaign”, propõe uma aliança americana em minerais, mudanças nas regras de mineração e entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões em investimentos. O autor, André Marinho, do Novo, diz que se tratou de um exercício pessoal e que o material nunca foi enviado. Não há resposta de Flávio sobre o documento nas reportagens consultadas.

Eduardo condenado e a contraposição do governo

Em 16 de junho de 2026, o STF condenou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, a 4 anos e 2 meses por coação. Segundo a Agência Brasil, ele buscou tarifas e sanções americanas para interromper o julgamento do pai. Eduardo já havia perdido o mandato de deputado em dezembro de 2025. A condenação não trata de minério. Trata de pedido de sanções, e esse histórico pesa quando alguém fala em nome do país no exterior.

O governo Lula agiu em outra direção. Em 16 de setembro de 2026, o presidente sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei prevê créditos tributários de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034, um fundo de garantia de até R$ 5 bilhões e um conselho que pode revisar aquisições estrangeiras.

Em abril, a empresa americana USA Rare Earth acordou a compra da Serra Verde, em Goiás, única mina comercial de terras raras do Brasil, por US$ 2,8 bilhões. Segundo a Reuters, toda a produção vai para um comprador apoiado pelos EUA. Não há relação documentada entre essa compra e a campanha de Flávio.

Para o eleitor de direita, a conta é simples. Soberania aparece na regra que o país escreve, e não na promessa feita em palco estrangeiro.

Terras raras e os EUA, em datas Fatos citados no texto, de março a outubro de 2026

Data Fato
28 mar Na CPAC, diz que o Brasil pode substituir a China e pede que o “mundo livre” acompanhe a eleição
abr USA Rare Earth acorda a compra da Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões
26–27 mai Na Casa Branca, com Trump, e depois com Rubio, promete parcerias de longo prazo em terras raras
16 jun STF condena Eduardo Bolsonaro por coação, por pedir tarifas e sanções americanas
12 set Apresentação com a marca da campanha propõe aliança em minerais; autor diz que foi exercício pessoal e nunca foi enviada
16 set Lula sanciona a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
18 out No debate da Band, chama de fake news a pergunta de Lula sobre terras raras

Fonte: reportagens listadas em Fontes. Elaboração: redação.

O que diz Flávio Bolsonaro: no debate da Band, em 18 de outubro, ele chamou de fake news a pergunta de Lula sobre terras raras e disse que foi aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras, segundo o Correio Braziliense. Reportagens divergem sobre se ele negou diretamente a acusação.

O que isso significa

O ponto não é se Flávio pode defender empresas brasileiras nos Estados Unidos. Ele pode. O ponto é o que ele oferece em nome do Brasil, a um governo a quem o irmão pediu tarifas e sanções para interromper o julgamento do pai.

Patriotismo não é só discurso na CPAC. É defender o exportador brasileiro, a eleição e a lei de minerais críticos sancionada em setembro. Quem quer a soberania de volta não pode pedir ao “mundo livre” que assista à votação.

Domingo, dia 25, o eleitor decide quem vai falar pelo Brasil lá fora. No debate, Flávio chamou a pergunta de Lula sobre terras raras de fake news. O governo respondeu com uma lei. O eleitor pode comparar as duas respostas e escolher a que protege o país.

Como fizemos: Usamos o dossiê da redação sobre Flávio Bolsonaro e as reportagens listadas em Fontes. Não fizemos cálculos próprios; os números de reserva, investimentos e financiamento vêm das fontes citadas. A campanha não foi contatada para este texto, e a posição de Flávio vem de declarações publicadas. A apresentação de 2026 é atribuída ao seu autor, que diz que o material nunca foi enviado.

Fontes