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Flávio apaga posts antigos que atacavam o Bolsa Família

Publicações de 2010 a 2013 ligavam o programa à compra de votos, segundo o ICL. Elas sumiram, e hoje o candidato promete ampliar o Bolsa Família.

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Homem de óculos e terno gesticula sentado diante de um painel com o logotipo do programa Bolsa Família.
O então ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, fala sobre o monitoramento do Bolsa Família, em Brasília, em 20 de agosto de 2009.Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Flávio Bolsonaro apagou publicações antigas em que atacava o Bolsa Família. Segundo o ICL Notícias, veículo alinhado à esquerda, os posts eram de 2010 a 2013. Neles, o então deputado estadual do Rio ligava o programa à compra de votos. Também propunha um limite de dois anos para um programa social fluminense.

Ninguém é obrigado a pensar hoje o que pensava há quinze anos. Gente muda de ideia, e isso pode ser virtude. Mas mudar de ideia é uma coisa. Apagar o rastro sem explicação pública conhecida é outra.

O que sumiu e o que ficou

O contraste com o discurso atual diz muito. Em 8 de outubro, Flávio prometeu manter e ampliar o Bolsa Família, segundo O Tempo. No mesmo dia, chamou de “fake news” do PT a notícia de que sua equipe estudava limitar o reajuste de aposentados, relatou o Poder360.

A notícia em questão veio da Folha de S.Paulo, em 7 de outubro. Segundo o jornal, a equipe econômica discutiu um corte de cerca de 2% do PIB, perto de R$ 250 bilhões. A lista incluía corrigir as aposentadorias do INSS e o BPC só pela inflação. O BPC é o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

A campanha respondeu que essa não é sua posição oficial. Flávio, por sua vez, prometeu reajuste acima da inflação para os aposentados.

Em 13 de outubro, entidades empresariais entregaram a ele outro plano, segundo a Folha de Pernambuco. O texto previa idade mínima de 67 anos para a aposentadoria e uma revisão do Bolsa Família. A campanha chamou o documento de informal e não o endossou.

O coordenador da campanha, Rogério Marinho, também já disse, em março, que a Previdência terá de ser revisitada. Nada disso é programa oficial. Mas é o ambiente de ideias em que o candidato circula.

Ou seja: os posts antigos sumiram, mas as ideias continuam rondando o candidato. Isso não prova que ele vá cortar nada. Prova que a pergunta é legítima.

Um hábito, não um acidente

Não é a primeira vez que Flávio recorre à borracha. Em julho de 2025, ele agradeceu a Donald Trump pela tarifa de 50% contra produtos brasileiros. Depois disse à CNN Brasil que se arrependeu e apagou a publicação.

O tarifaço, ao menos, ganhou uma explicação pública. Flávio disse que se arrependeu. No caso do Bolsa Família, não se conhece explicação pública parecida para o sumiço dos posts.

Para nós, conservadores, a palavra escrita tem peso. Contrato assinado se cumpre. Opinião publicada se assume, ou se corrige em público, com explicação. Apagar em silêncio é tratar o eleitor como alguém que não vai perceber.

O que não se pode dizer dele

Também é preciso ser justo com o candidato. Circula nas redes um vídeo em que Flávio “anuncia” o fim do Bolsa Família. O Boatos.org mostrou que é um deepfake, uma montagem que imita a imagem e a voz de uma pessoa real. Quem compartilha esse vídeo presta um desserviço e ainda dá a Flávio o papel de vítima.

São falsas também, segundo a checagem do TMC, as postagens que dizem que ele vai acabar com o BPC e com o 13º salário. Atacar Flávio com mentira é a forma mais rápida de salvá-lo.

O que se pode cobrar dele é outra coisa. Se mudou de opinião sobre o Bolsa Família, que diga quando e por quê. Que diga também o que pensa hoje do limite de dois anos que defendia para um programa social. Apagar não responde a nenhuma dessas perguntas.

Milhões de famílias dependem do programa e merecem saber o que o candidato realmente pensa. Elas não leem planos de governo nem acompanham checagens.

Leem o que o candidato diz, e guardam o que ele escreveu. A direita que eu defendo não tem medo do próprio arquivo. Quem tem medo, em geral, sabe o que está escrito lá.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que vai manter e ampliar o Bolsa Família se for eleito e chama de “fake news” do PT as notícias sobre cortes em aposentadorias. A campanha diz que os estudos de corte revelados pela Folha não representam sua posição oficial.

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