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O Congresso de 2027 obriga qualquer presidente a negociar
Com 121 deputados e 28 senadores, o PL terá as maiores bancadas, mas longe da maioria: o presidencialismo de coalizão segue como regra do jogo.
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No domingo (4), o eleitor desenhou o Congresso que vai trabalhar a partir de fevereiro de 2027. O Partido Liberal (PL) elegeu 121 dos 513 deputados, contra 99 em 2022. No Senado, conquistou 19 das 54 vagas em disputa e terá 28 das 81 cadeiras, segundo levantamento da CNN Brasil.
É a maior bancada nas duas Casas. Mesmo assim, o número mais importante desta eleição é outro: nenhum partido chegou perto de governar sozinho. A maioria simples da Câmara exige 257 votos, e o PL tem menos da metade disso.
Uma ideia de 1988 que segue atual
Em 1988, o cientista político Sérgio Abranches deu nome a esse arranjo: presidencialismo de coalizão. Seu artigo, publicado na revista Dados, descrevia um país com presidente forte, muitos partidos e voto proporcional. Nesse modelo, o presidente precisa reunir vários partidos para aprovar quase tudo.
Trinta e oito anos depois, as urnas confirmam o diagnóstico. Atrás do PL vêm a federação PT-PCdoB-PV, com 88 deputados, e a federação União Brasil-PP, com 87. Depois aparecem PSD (43), Republicanos (41) e MDB (36). São esses partidos de centro que vão decidir as votações.
A conta fica mais dura quando o assunto é a Constituição. Uma emenda constitucional exige três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos. São 308 deputados e 49 senadores. Nenhuma combinação de dois ou três partidos chega lá.
O que isso significa para quem vencer
O segundo turno, em 25 de outubro, opõe Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Não cabe a esta coluna dizer em quem votar. Cabe lembrar que a aritmética do Congresso será a mesma para os dois.
Se vencer o candidato do PL, ele terá a maior bancada como base, mas ainda longe da maioria. Vai precisar do centro tanto quanto qualquer antecessor. Se vencer o candidato do PT, terá na oposição a maior bancada de um só partido no Senado desde 1988, segundo a Rádio Câmara. Também vai depender do centro, talvez ainda mais.
O risco, em qualquer cenário, é conhecido. Coalizões podem ser feitas em torno de programas ou em torno de cargos e emendas. A primeira dá estabilidade e previsibilidade. A segunda cobra caro, do Orçamento e da confiança do eleitor.
Penso que o país ganharia com coalizões de programa, anunciadas à luz do dia. O eleitor tem o direito de saber o que cada partido aceitou apoiar, e em troca de quê. Acordos públicos são mais difíceis de romper do que acordos de gabinete.
O que diz quem discorda: Os cientistas políticos Argelina Figueiredo e Fernando Limongi, no livro “Executivo e Legislativo na nova ordem constitucional” (Editora FGV, 1999), sustentam que o sistema é mais governável do que parece. Para eles, os poderes de agenda do presidente e a força dos líderes partidários produzem maiorias estáveis, sem paralisia.
Os novos parlamentares tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. A primeira prova da coalizão virá logo, na eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Ali se verá se o próximo governo vai negociar programas ou apenas espaço.
Fontes
- PL terá maior bancada da Câmara; federação do PT mantém segundo lugar — CNN Brasil
- PL elege 19 senadores e terá a maior bancada do Senado; veja divisão — CNN Brasil
- Veja como fica o tamanho dos partidos no Congresso após as eleições — Congresso em Foco
- Especial Eleições #30: especialistas analisam resultados da eleição para Congresso — Rádio Câmara
- Quando será o segundo turno das eleições? Veja a data — Agência Brasil
- Constituição Federal, art. 60 — Planalto


