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De 'não adianta' ao voto a favor: o vaivém de Flávio no 6x1

Flávio assinou em maio uma PEC alternativa, disse em 7 de outubro que o fim da 6x1 'não adianta' e votou sim no dia 14. O vaivém repete o caso das urnas.

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Flávio Bolsonaro, de terno azul, discursa ao microfone de pé em sua bancada no plenário do Senado, cercado por outros senadores.
O senador Flávio Bolsonaro discursa da bancada no plenário do Senado Federal, em Brasília, em 15 de abril de 2026.Foto: Carlos Moura / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 7 de outubro, Flávio Bolsonaro tinha uma frase pronta sobre o fim da escala 6x1, a jornada de seis dias de trabalho para um de folga. Não adiantava acabar com ela num país de endividados e desempregados, disse ele, segundo o Metrópoles. Uma semana depois, no dia 14, votou a favor da mudança, nos dois turnos, a distância.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 passou no Senado por 75 votos a 1, segundo a Exame. Flávio estava entre os 75. Isso precisa ser dito com todas as letras: ele votou sim.

Este ensaio não discute o mérito da 6x1. Discute o caminho que o candidato percorreu até o voto, e o que esse caminho revela sobre ele.

Vale lembrar o tamanho do placar. Só um senador votou contra a mudança. Num plenário quase unânime, o voto de Flávio não decidiu nada. O que chama atenção é a distância entre esse voto e tudo o que ele disse nas semanas anteriores.

Da PEC de maio ao voto de outubro

Em maio, Flávio assinou a PEC 12/2026, que defendia a liberdade de escolher os horários de trabalho. Segundo o Intercept, essa regra tornaria o pagamento proporcional às horas trabalhadas. Em 6 de outubro, ele se opôs à PEC do fim da 6x1 e defendeu essa alternativa.

No dia 7, veio o “não adianta”. No dia 13, depois de visitar o pai, anunciou que votaria a favor, desde que o governo pagasse a conta dos empregadores, segundo a CNN Brasil. No dia 14, votou sim. No dia 16, prometeu não reverter a mudança, relatou o Metrópoles.

No debate da Band, no dia 18, explicou a guinada: mudou de ideia porque sabe ouvir. É uma boa frase. Mas não explica por que a escuta coincidiu com a reta final da campanha.

O padrão das urnas

O vaivém da 6x1 não é um caso isolado. O Jornal de Brasília documentou o mesmo movimento num tema bem mais grave: as urnas eletrônicas.

Em 2022, Flávio disse que a fraude não aconteceu, mas poderia ter acontecido. Em 2023, foi coautor de uma PEC do voto impresso. Em 2024, chamou o assunto de página virada. Em março de 2026, disse que venceria se os votos fossem contados corretamente.

Em julho deste ano, o padrão voltou a aparecer. Num almoço com embaixadores estrangeiros, Flávio ligou falsamente as urnas brasileiras à empresa Smartmatic, que nunca as forneceu, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha disse depois que ele confia no sistema, mas não corrigiu o dado falso, relatou o Metrópoles.

Ataque, recuo, novo ataque, novo recuo. O desenho é o mesmo da 6x1. Primeiro se testa a posição que agrada à base. Depois, quando o custo aparece, se recua sem admitir o erro.

Na Petrobras, a trajetória se repete. Ele apoiou a privatização em 2022, falou em vender partes da empresa em 2025 e hoje chama o assunto de “boataria”, segundo o InfoMoney.

Por que isso importa para a direita

Nós, de direita, gostamos de dizer que temos princípios, não conveniências. É o que nos separa, na nossa própria narrativa, do político profissional que vota conforme o vento.

Flávio desafia essa narrativa. Em cada tema central, há um Flávio de antes e um Flávio de depois. O eleitor nunca sabe qual dos dois vai governar.

Os aliados não ajudam a esclarecer. Em 16 de outubro, Flávio prometeu manter o fim da 6x1. No mesmo dia, segundo o Metrópoles, seu coordenador, Rogério Marinho, e o líder do PL, Sóstenes, seguiam defendendo um contrato por hora para 2027.

Então qual é a posição real do grupo? O voto do dia 14 ou o contrato por hora de 2027? A resposta honesta é que ninguém sabe. E um país não se governa no escuro.

Coerência não é teimosia. Mudar de ideia com argumentos, em público, é sinal de maturidade. Mudar de posição várias vezes em poucos meses, sempre na direção do vento eleitoral, é outra coisa.

No dia 25, a direita escolhe quem vai carregar sua bandeira. Uma bandeira que muda de cor a cada pesquisa não serve para ninguém.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que mudou de ideia sobre a 6x1 porque sabe ouvir e lembra que votou a favor do fim da escala nos dois turnos. Também prometeu, em 16 de outubro, não reverter a mudança se for eleito.

Fontes