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Flávio chamou de farsa o julgamento do pai e promete indulto
Do julgamento de Jair Bolsonaro às urnas e à Smartmatic, o histórico de Flávio contra as instituições, em datas e fatos documentados.
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Em 11 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pena foi de 27 anos e 3 meses, por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro, filho dele, reagiu chamando o julgamento de “farsa”. Ele também chamou o ministro Alexandre de Moraes de “um psicopata”.
Este texto não discute se a condenação foi justa. Ele reúne o que Flávio disse sobre as instituições e os votos que deu, com datas e fontes. Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o respeito às sentenças, devemos cobrar isso de qualquer candidato. Quem pede o voto da lei e da ordem precisa responder pelo próprio histórico.
As urnas: da dúvida à confiança declarada
Em 2022, Flávio disse que a fraude nas urnas não aconteceu, mas que poderia ter acontecido. No ano seguinte, foi coautor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para voltar ao voto impresso. Em 2024, tratou o tema como página virada.
Em março de 2026, afirmou que venceria se os votos fossem contados corretamente. Em 21 de julho, num almoço com embaixadores estrangeiros, ligou as urnas à Smartmatic, empresa de tecnologia eleitoral, e pediu observadores. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que a empresa nunca forneceu equipamentos ao Brasil.
A campanha disse que ele confia no sistema eleitoral, mas não corrigiu a afirmação. Segundo o Metrópoles, o pai de Flávio foi tornado inelegível pelo TSE depois de um encontro semelhante com embaixadores. O padrão se repete: dúvida em 2022, confiança declarada em 2026 e, na mesma campanha, a ligação falsa sem correção.
Anistia, indulto e os votos no Congresso
Em 17 de dezembro de 2025, o Senado aprovou por 48 votos a 25 o projeto da dosimetria. O texto reduz as penas dos condenados pelo 8 de janeiro, e Flávio votou a favor. Dosimetria é a regra que define quanto tempo cada condenado deve cumprir de pena.
Em 30 de abril de 2026, o Congresso derrubou o veto do presidente Lula ao projeto, por 49 votos a 24. Flávio votou para derrubar o veto. Com isso, a redução das penas pelo 8 de janeiro ficou possível, segundo a Agência Senado.
Nas duas votações, Flávio ficou do lado de quem reduz as penas. Declaração se apaga; voto fica no registro do Senado. Não é opinião sobre a dosimetria: é o registro do que ele votou.
Em agosto de 2026, ele prometeu uma anistia durante a transição de governo e, caso ela falhe, um indulto. A anistia perdoa o crime e depende do Congresso. O indulto perdoa a pena e é decidido pelo presidente da República.
No Jornal Nacional, em 16 de outubro, Flávio disse que a tentativa de golpe foi apenas uma invasão de prédios. O Aos Fatos classificou a afirmação como falsa.
Flávio e as instituições, em datas Fatos citados no texto, por data, de 2022 a 2026
| Data | Fato |
|---|---|
| 2022 | Diz que a fraude nas urnas não aconteceu, mas poderia ter acontecido |
| 2023 | Coautor de PEC que volta ao voto impresso |
| 2024 | Trata o tema das urnas como página virada |
| 11 set 2025 | STF condena Jair Bolsonaro; Flávio chama o julgamento de farsa |
| 17 dez 2025 | Vota a favor da dosimetria, aprovada por 48 a 25 no Senado |
| mar 2026 | Diz que venceria se os votos forem contados corretamente |
| 30 abr 2026 | Vota para derrubar o veto de Lula à dosimetria; veto derrubado por 49 a 24 |
| 21 jul 2026 | Liga urnas à Smartmatic em almoço com embaixadores; TSE diz que a empresa nunca forneceu equipamentos |
| ago 2026 | Promete anistia na transição e indulto caso ela falhe |
| 16 out 2026 | No Jornal Nacional, diz que a tentativa de golpe foi só invasão de prédios; Aos Fatos: falso |
Fonte: reportagens listadas em Fontes. Elaboração: redação.
O que diz Flávio Bolsonaro: ele diz confiar no sistema eleitoral, segundo o Metrópoles, e afirma que o julgamento do pai foi uma farsa e que se trata de perseguição política. Segundo a Euronews, ele insiste que concederá indulto caso a anistia não seja aprovada.
O que isso significa
Criticar uma decisão do STF é direito de qualquer cidadão. O histórico de Flávio, porém, vai além de críticas: dúvida sobre as urnas, a palavra “farsa” para o julgamento do pai e a promessa de indulto caso a anistia falhe. Ele diz confiar no sistema e aponta perseguição política. São argumentos que o eleitor pode ouvir, mas que não apagam as datas acima.
Para o eleitor que valoriza a lei, a questão não é técnica. É saber se o candidato aceita o resultado das instituições quando elas decidem contra ele ou contra a família. Até agora, a resposta de Flávio tem sido falar em perseguição política, sem esclarecer a dúvida sobre as urnas.
Domingo, dia 25, o eleitor também decide se quer um presidente que cumpra as decisões do STF e do TSE. Quem chama um julgamento de farsa precisa explicar como respeitaria essas decisões. Quem promete indulto caso a anistia falhe precisa explicar o que faria com elas.
Como fizemos: Usamos o dossiê da redação sobre Flávio Bolsonaro, que cita a fonte de cada fato, e as reportagens listadas em Fontes. A tabela é uma cronologia montada com essas datas; não fizemos cálculos próprios. A campanha não foi contatada para esta versão, e a posição de Flávio vem de declarações publicadas. Os votos são os registrados pelo Senado e pelas reportagens citadas.
Fontes
- Flávio diz confiar no sistema eleitoral, mas não corrige dado falso — Metrópoles
- Flávio Bolsonaro repete tese falsa sobre urnas desde 2014, alternando ataques e recuos — Jornal de Brasília
- Flávio Bolsonaro reage à condenação do pai e pede anistia ampla — Correio Braziliense
- STF pena Jair Bolsonaro — CNN Brasil
- Congresso derruba veto e possibilita redução de penas pelo 8 de janeiro — Agência Senado
- PL da dosimetria: veja como foi a votação no Senado — InfoMoney
- Filho de Bolsonaro insiste que julgamento do pai foi uma farsa — Euronews
- Checamos Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional — Aos Fatos



