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Flávio chamou de farsa o julgamento do pai e promete indulto

Do julgamento de Jair Bolsonaro às urnas e à Smartmatic, o histórico de Flávio contra as instituições, em datas e fatos documentados.

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Artigos de opinião expressam a visão de seus autores, identificados pelo nome, não necessariamente a da Revista Nação.

Flávio Bolsonaro, de terno azul, cercado por apoiadores, celulares e um microfone, segura um bolo com a inscrição 'Parabéns Flávio'; ao fundo, um cartaz cita a dosimetria.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista no Senado, em Brasília, em 30 de abril de 2026, dia em que o Congresso derrubou o veto à dosimetria.Foto: Senado Federal / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 11 de setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. A pena foi de 27 anos e 3 meses, por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro, filho dele, reagiu chamando o julgamento de “farsa”. Ele também chamou o ministro Alexandre de Moraes de “um psicopata”.

Este texto não discute se a condenação foi justa. Ele reúne o que Flávio disse sobre as instituições e os votos que deu, com datas e fontes. Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o respeito às sentenças, devemos cobrar isso de qualquer candidato. Quem pede o voto da lei e da ordem precisa responder pelo próprio histórico.

As urnas: da dúvida à confiança declarada

Em 2022, Flávio disse que a fraude nas urnas não aconteceu, mas que poderia ter acontecido. No ano seguinte, foi coautor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para voltar ao voto impresso. Em 2024, tratou o tema como página virada.

Em março de 2026, afirmou que venceria se os votos fossem contados corretamente. Em 21 de julho, num almoço com embaixadores estrangeiros, ligou as urnas à Smartmatic, empresa de tecnologia eleitoral, e pediu observadores. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que a empresa nunca forneceu equipamentos ao Brasil.

A campanha disse que ele confia no sistema eleitoral, mas não corrigiu a afirmação. Segundo o Metrópoles, o pai de Flávio foi tornado inelegível pelo TSE depois de um encontro semelhante com embaixadores. O padrão se repete: dúvida em 2022, confiança declarada em 2026 e, na mesma campanha, a ligação falsa sem correção.

Anistia, indulto e os votos no Congresso

Em 17 de dezembro de 2025, o Senado aprovou por 48 votos a 25 o projeto da dosimetria. O texto reduz as penas dos condenados pelo 8 de janeiro, e Flávio votou a favor. Dosimetria é a regra que define quanto tempo cada condenado deve cumprir de pena.

Em 30 de abril de 2026, o Congresso derrubou o veto do presidente Lula ao projeto, por 49 votos a 24. Flávio votou para derrubar o veto. Com isso, a redução das penas pelo 8 de janeiro ficou possível, segundo a Agência Senado.

Nas duas votações, Flávio ficou do lado de quem reduz as penas. Declaração se apaga; voto fica no registro do Senado. Não é opinião sobre a dosimetria: é o registro do que ele votou.

Em agosto de 2026, ele prometeu uma anistia durante a transição de governo e, caso ela falhe, um indulto. A anistia perdoa o crime e depende do Congresso. O indulto perdoa a pena e é decidido pelo presidente da República.

No Jornal Nacional, em 16 de outubro, Flávio disse que a tentativa de golpe foi apenas uma invasão de prédios. O Aos Fatos classificou a afirmação como falsa.

Flávio e as instituições, em datas Fatos citados no texto, por data, de 2022 a 2026

Data Fato
2022 Diz que a fraude nas urnas não aconteceu, mas poderia ter acontecido
2023 Coautor de PEC que volta ao voto impresso
2024 Trata o tema das urnas como página virada
11 set 2025 STF condena Jair Bolsonaro; Flávio chama o julgamento de farsa
17 dez 2025 Vota a favor da dosimetria, aprovada por 48 a 25 no Senado
mar 2026 Diz que venceria se os votos forem contados corretamente
30 abr 2026 Vota para derrubar o veto de Lula à dosimetria; veto derrubado por 49 a 24
21 jul 2026 Liga urnas à Smartmatic em almoço com embaixadores; TSE diz que a empresa nunca forneceu equipamentos
ago 2026 Promete anistia na transição e indulto caso ela falhe
16 out 2026 No Jornal Nacional, diz que a tentativa de golpe foi só invasão de prédios; Aos Fatos: falso

Fonte: reportagens listadas em Fontes. Elaboração: redação.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele diz confiar no sistema eleitoral, segundo o Metrópoles, e afirma que o julgamento do pai foi uma farsa e que se trata de perseguição política. Segundo a Euronews, ele insiste que concederá indulto caso a anistia não seja aprovada.

O que isso significa

Criticar uma decisão do STF é direito de qualquer cidadão. O histórico de Flávio, porém, vai além de críticas: dúvida sobre as urnas, a palavra “farsa” para o julgamento do pai e a promessa de indulto caso a anistia falhe. Ele diz confiar no sistema e aponta perseguição política. São argumentos que o eleitor pode ouvir, mas que não apagam as datas acima.

Para o eleitor que valoriza a lei, a questão não é técnica. É saber se o candidato aceita o resultado das instituições quando elas decidem contra ele ou contra a família. Até agora, a resposta de Flávio tem sido falar em perseguição política, sem esclarecer a dúvida sobre as urnas.

Domingo, dia 25, o eleitor também decide se quer um presidente que cumpra as decisões do STF e do TSE. Quem chama um julgamento de farsa precisa explicar como respeitaria essas decisões. Quem promete indulto caso a anistia falhe precisa explicar o que faria com elas.

Como fizemos: Usamos o dossiê da redação sobre Flávio Bolsonaro, que cita a fonte de cada fato, e as reportagens listadas em Fontes. A tabela é uma cronologia montada com essas datas; não fizemos cálculos próprios. A campanha não foi contatada para esta versão, e a posição de Flávio vem de declarações publicadas. Os votos são os registrados pelo Senado e pelas reportagens citadas.

Fontes