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Alerta no celular salva vidas se o município tiver equipe treinada

Desde outubro de 2025, o Defesa Civil Alerta chega a todo o país; sem mapa de risco e equipe local preparada, porém, o aviso não vira ação.

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Ilustração provisória: composição geométrica abstrata de arcos concêntricos irradiando de um triângulo em ouro, sobre fundo de faixas em verde-petróleo, tinta e creme, sem pessoas.
Composição geométrica no estilo da arte concreta, imagem provisória a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 1º de outubro de 2025, o Defesa Civil Alerta passou a funcionar em todos os municípios do país. O sistema envia avisos que aparecem na tela do celular de quem está numa área de risco. Não precisa de cadastro nem de plano de dados.

A tecnologia se chama cell broadcast, ou difusão por célula. As antenas das operadoras mandam a mensagem a todos os aparelhos compatíveis, conectados ao 4G ou ao 5G naquela região. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), o alerta extremo toca mesmo com o celular no silencioso.

Do SMS à tela inteira

O sistema não começou do zero. Antes dele, a Defesa Civil já mandava avisos por SMS. Basta enviar o CEP para o número 40199, e a confirmação chega na hora. O serviço continua ativo, assim como os alertas por WhatsApp e outros canais.

O novo sistema foi testado a partir de agosto de 2024, em 11 cidades do Sul e do Sudeste, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Chegou a essas duas regiões em dezembro de 2024, ao Nordeste em junho de 2025 e ao Norte em setembro. O Centro-Oeste fechou a lista em outubro.

A vantagem sobre o SMS é clara. O aviso atinge também quem nunca se cadastrou, como turistas e visitantes. E aparece por cima de qualquer aplicativo aberto.

A mensagem é só o começo

Escrevo do ponto de vista de quem acredita na prevenção. Um alerta salva vidas quando chega na hora certa, ao lugar certo, com uma orientação clara. E isso depende de gente, não de antena.

Quem decide o conteúdo e o momento do aviso são as defesas civis locais, segundo o MIDR. Para a mensagem fazer sentido, alguém precisa saber quais ruas vão alagar e qual encosta pode deslizar. Esse conhecimento mora no município.

A Lei 12.608, de 2012, já manda os municípios mapear áreas de risco e fazer exercícios simulados. Desde dezembro de 2023, a Lei 14.750 também lhes atribui produzir alertas, inclusive por sirene e celular, junto com União e estados. A obrigação existe. Falta estrutura em muitas prefeituras.

Por isso, defendo três prioridades. Primeiro, cada município com área de risco precisa de uma defesa civil com equipe fixa e treinada, e não de um servidor emprestado. Segundo, mapas de risco atualizados e públicos. Terceiro, simulados com a população, para que todos saibam aonde ir quando o celular tocar.

O que dizem os que defendem centralizar: Há quem argumente que municípios pequenos não têm escala para manter equipes próprias e que estados e consórcios fariam melhor esse trabalho. A estreia nacional seguiu essa linha: segundo o MIDR, os disparos começaram apenas pelas defesas civis estaduais. A própria Lei 12.608 divide a tarefa de capacitar entre União, estados e municípios.

A tecnologia de aviso já chegou ao país inteiro. O que decide se uma chuva forte vira tragédia é o que acontece antes do alerta. Isso inclui o mapa, o treino e a equipe que sabe o que fazer.

Fontes