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Aos Fatos: Flávio omitiu as próprias falas sobre privatizar a Petrobras

Na TV Globo, Flávio tratou como invenção do PT a ideia de privatizar a Petrobras. O Aos Fatos apontou que ele omitiu as próprias declarações anteriores.

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Prédio de concreto da sede da Petrobras, com estrutura em blocos vazados, fotografado de baixo com lente grande-angular, entre outros edifícios do centro do Rio.
Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio de Janeiro, em janeiro de 2009.Foto: Rodrigo Soldon / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em entrevista à TV Globo, em 16 de outubro, Flávio Bolsonaro tratou como terrorismo do PT a ideia de que privatizaria a Petrobras. No mesmo dia, o Aos Fatos checou a fala. Concluiu que ele omitiu as próprias declarações anteriores sobre o assunto, e também as da sua equipe.

O arquivo não deixa dúvida de que o tema já esteve na boca dele. Não como boato de adversário, mas como posição própria, dita em público.

Checagem não é opinião. É comparar o que alguém diz hoje com o que disse ontem, com data e fonte. Foi o que o Aos Fatos fez. E o resultado não favorece o candidato.

O que ele já disse

Em 5 de abril de 2022, Flávio contou que o pai tinha dado aval para estudar a privatização da Petrobras, segundo vídeo do UOL. Em 22 de dezembro de 2025, numa entrevista à agência Reuters, foi além. Disse que a empresa era complexa demais e que as partes que não funcionam poderiam ser privatizadas, relatou o InfoMoney.

Em fevereiro de 2026, mudou o tom. Afirmou que uma empresa estratégica e de monopólio não pode simplesmente ser vendida, segundo o eixos. Em 9 de outubro, já na campanha do segundo turno, chamou toda a conversa de “boataria”, segundo o InfoMoney.

Em menos de um ano, portanto, foram três tons diferentes: a abertura de dezembro, a cautela de fevereiro e a negação de outubro. Nenhuma dessas mudanças veio acompanhada de uma explicação ao eleitor.

A equipe também deixou rastros. Em 2022, como ministro, Adolfo Sachsida pediu estudos para a privatização da estatal. Agora, como integrante da campanha, garante que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão tocados, relatou o InfoMoney.

O que a checagem mostra

O Aos Fatos não disse que Flávio vai privatizar a Petrobras. Esta coluna também não diz. O plano registrado em 13 de agosto não cita a empresa. Mas retoma o Programa Nacional de Desestatização caso a caso, sem lista de empresas, segundo o eixos.

A checagem mostra outra coisa. Flávio contou ao eleitor uma história incompleta. Apresentou como invenção do PT um tema que ele próprio levantou, mais de uma vez, em público.

Não defendo estatais por princípio. Muitos liberais acham que a Petrobras deveria ser vendida, e esse é um debate legítimo. O problema não é a posição. É esconder a posição.

Por que a omissão pesa

Um candidato pode mudar de ideia sobre a Petrobras. Pode até ter boas razões para isso. O que não pode é fingir que nunca pensou diferente.

A Petrobras não é uma empresa qualquer. Ela pesa no preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, e por isso pesa no bolso de todo brasileiro. Sobre um assunto desses, o eleitor tem o direito de saber o que o candidato pensa de verdade.

Quando chama de boato aquilo que disse em 2022 e em 2025, Flávio pede ao eleitor que desconfie dos próprios ouvidos. É uma aposta na memória curta. E o Aos Fatos, com o arquivo na mão, mostrou que a aposta é arriscada.

O exagero que não ajuda

É preciso também separar o que é exagero. A previsão de gasolina a R$ 12 ou R$ 15 num eventual governo Flávio não tem comprovação, segundo levantamento do Quenty. Usar esse número é dar munição a quem quer desqualificar a crítica séria.

A crítica séria é mais simples, e mais forte. Flávio já defendeu a privatização e já falou em vender partes da empresa. A equipe dele não fecha a porta. E, diante das câmeras, ele chama tudo isso de invenção.

Para a direita, o caso tem uma lição clara. Se o nosso candidato não consegue assumir o que disse sobre a maior empresa do país, por que confiaríamos nele sobre o resto? Coerência não é luxo. É o mínimo para pedir o voto de quem preza a palavra dada.

No domingo, dia 25, o eleitor vai escolher entre versões. Ao menos uma delas já foi checada, e não passou.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que não pretende privatizar a Petrobras e chama o assunto de “boataria”, acusando Lula de usar a estatal com fins eleitorais. Sua equipe diz que Petrobras, Banco do Brasil e Caixa não serão privatizados.

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