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'Flávio rachadinha': por que a busca explodiu depois do debate
Flávio recusou abrir os sigilos no debate da Band, e as buscas por 'Flávio rachadinha' passaram de 50 mil. O caso foi anulado, nunca julgado no mérito.
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Na noite de domingo (18), durante o debate da Band, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico das famílias dos dois. Flávio recusou e respondeu com acusações à família de Lula, segundo o ND+. Naquela mesma noite, as buscas por “Flávio rachadinha” passaram de 50 mil, relatou o Poder360.
A explicação mais simples está no próprio debate. Quem recusa abrir o sigilo diante de milhões de espectadores convida o público a procurar o motivo. E o público procurou.
O que é a rachadinha
Rachadinha é o nome popular de um esquema em que servidores de um gabinete devolvem parte do salário ao chefe ou a alguém de confiança dele. No caso de Flávio, tudo começou com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o órgão que monitora movimentações suspeitas.
Os relatórios envolviam Flávio e seu ex-assessor Fabrício Queiroz. O primeiro apontava cerca de R$ 1,2 milhão em movimentações atípicas na conta de Queiroz. Em 2020, o Ministério Público (MP) do Rio denunciou Flávio, Queiroz e mais 15 pessoas, segundo a Agência Brasil.
As acusações eram de peculato, o desvio de dinheiro público por quem tem cargo público, além de lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa.
Uma denúncia é o pedido formal do MP para que alguém seja julgado. Não é condenação. Mas também não é uma suspeita qualquer: exige que os promotores apresentem indícios que considerem suficientes para levar o caso ao juiz.
Denunciado, nunca julgado
O caso não terminou em condenação. Nem em absolvição. Terminou na anulação das provas.
Em fevereiro de 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as quebras de sigilo bancário e fiscal, por falta de justificativa adequada, segundo o Migalhas. Em novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou quatro de cinco relatórios do Coaf, mas manteve o primeiro, de R$ 1,2 milhão, relatou o Poder360.
Em 2022, o Tribunal de Justiça do Rio rejeitou a denúncia porque ela se apoiava em provas anuladas. O relator registrou que as condutas descritas poderiam ser crimes, segundo o InfoMoney.
Em 2025, o ministro Gilmar Mendes rejeitou os últimos recursos do MP. Mas lembrou que uma nova denúncia continua juridicamente possível, segundo o Poder360. Nenhuma foi apresentada até agora.
Daí a fórmula que esta coluna repete sem medo de errar: anulado não é inocentado. Flávio foi denunciado e nunca julgado.
Isso vale para os dois lados. Quem chama Flávio de condenado está errado, porque nunca houve julgamento. Quem diz que ele foi absolvido também está, porque o mérito nunca foi examinado. O que existe é um processo que morreu antes de chegar à pergunta principal.
Por que isso pesa no domingo
Nós, que defendemos a Lava Jato, passamos anos dizendo que nulidade processual não é atestado de inocência. Dissemos isso sobre adversários. A mesma régua vale para o candidato do nosso campo.
Fomos nós que transformamos a abertura de sigilos em bandeira, nos anos da força-tarefa. Não podemos agora tratá-la como abuso só porque o pedido mira o nosso lado.
O debate tornou essa régua visível. Pode-se desconfiar de Lula à vontade, e eu desconfio. Mas o desafio foi feito em público, e Flávio recusou em público.
Em abril, Flávio disse que mais de 30 assessores tiveram os sigilos abertos sem que aparecesse nenhuma transferência para ele. Se é assim, abrir os próprios dados seria a forma mais rápida de encerrar o assunto. A recusa produz o efeito contrário. Mantém viva uma pergunta que ele diz já estar respondida.
Há também um detalhe que o eleitor de direita não deveria esquecer. O primeiro relatório do Coaf, o de R$ 1,2 milhão, foi mantido pelo STF. Ele não sustenta sozinho uma acusação. Mas mostra que a origem do caso não era uma invenção.
As 50 mil buscas daquela noite não provam nada sobre o mérito. Provam que o eleitor ainda quer saber. A direita que cobrava a abertura de sigilos dos outros não pode fingir que não ouviu a pergunta quando ela é feita ao seu candidato.
O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que não houve esquema, que Queiroz agiu sozinho e que as provas foram obtidas ilegalmente. Diz que mais de 30 assessores tiveram os sigilos abertos sem transferências para ele e que o caso é perseguição política, segundo o Correio Braziliense.
Fontes
- Lula desafia Flávio a abrir sigilos bancários das famílias durante debate — ND+
- Buscas por Flávio Bolsonaro disparam após debate com Lula na Band — Poder360
- MP do Rio denuncia 17 investigados por lavagem de dinheiro e peculato — Agência Brasil
- STJ anula quebra de sigilo bancário de Flávio Bolsonaro — Migalhas
- STF anula 4 relatórios do Coaf que miravam Flávio no caso das rachadinhas — Poder360
- TJ-RJ rejeita denúncia contra Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas — InfoMoney
- Gilmar nega pedido para reabrir ação contra Flávio por rachadinha — Poder360
- Flávio Bolsonaro quer abordar rachadinha na pré-campanha — Correio Braziliense


