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Flávio admite que a saúde não foi o forte do governo do pai

No debate da Band, Flávio reconheceu a falha e prometeu um SUS 'padrão Einstein'. O plano aposta em gestão privada, mas não diz quanto isso custa.

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Grupo de homens de terno e profissionais de jaleco observa um equipamento de radioterapia em uma sala de hospital.
Inauguração do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, em 9 de dezembro de 2013.Foto: Anderson Riedel / Vice-Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No debate da Band, no domingo (18), Flávio Bolsonaro fez uma admissão rara. Reconheceu que a saúde não foi o ponto forte do governo do pai, segundo a CNN Brasil. Em seguida, prometeu um Sistema Único de Saúde (SUS) “padrão Einstein”, em referência ao hospital privado de elite de São Paulo.

A admissão merece crédito. Não é todo dia que um candidato reconhece uma falha da própria família. Mas reconhecer o problema é a parte fácil. O difícil é dizer como resolvê-lo e quanto isso custa.

O remédio proposto

O plano de governo aposta em mais parcerias com o setor privado e com as organizações sociais, as OSs. São entidades privadas sem fins lucrativos contratadas para administrar unidades públicas. A ideia é usá-las em hospitais e em procedimentos complexos, segundo a Agência Brasil.

O nome escolhido para executar o plano reforça o rumo. Em 28 de agosto, Flávio anunciou Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Albert Einstein, como seu futuro ministro da Saúde. Segundo a Itatiaia, Lottenberg defende gestão privada na saúde pública.

O plano promete também um prontuário eletrônico nacional, compartilhado com hospitais privados, e mais telemedicina. Aqui há um tropeço. Segundo o Aos Fatos, o prontuário unificado que ele promete já existe.

Prometer o que já existe é um sinal ruim. Mostra um plano escrito mais para o palanque do que para o ministério. E levanta uma dúvida simples: se a equipe não sabe o que o SUS já tem, como vai saber o que falta?

O que não está no plano

É preciso ser preciso, porque há muita mentira circulando. Flávio não disse que vai privatizar o SUS. O Aos Fatos e a Lupa classificaram como falsa a frase atribuída a ele nesse sentido. A Lupa lembra que privatizar o SUS por inteiro violaria o artigo 196 da Constituição.

O plano também não fala em vouchers, em parcerias público-privadas para a saúde nem em mudanças no piso de gastos, segundo a Agência Brasil. Quem acusa Flávio de querer acabar com o SUS erra. E ainda ajuda a campanha dele a posar de vítima.

O ponto é outro. O diagnóstico é público, e o remédio é privado. A promessa é de um SUS com padrão de hospital particular, comandado por quem vem do hospital particular, com mais contratos com entidades privadas.

A pergunta que ficou no ar

Lula perguntou, no mesmo debate, se o “padrão Einstein” significava privatizar. Flávio não negou de forma direta, registrou a CNN Brasil. Bastava uma frase. Ela não veio.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, critica a falta de valores de investimento no plano. É crítica de adversário, mas aponta um vazio real. Um hospital de padrão Einstein custa caro. O plano não diz de onde viria o dinheiro.

Sou de direita e não tenho alergia ao setor privado. Muitos de nós usam plano de saúde e conhecem a diferença entre um hospital bem gerido e um mal gerido. Gestão importa, e ninguém deveria ter medo de discutir isso. Mas o eleitor tem o direito de saber o tamanho da aposta antes de fazê-la.

A dúvida cresce quando se lembra que a equipe econômica estudou corrigir o piso da saúde só pela inflação, segundo a Folha de S.Paulo. Flávio nega e diz que não vai mexer nos pisos. Mas um SUS de padrão privado com orçamento congelado é uma conta que não fecha.

Se o próprio filho reconhece que a saúde foi um ponto fraco do governo do pai, a resposta não pode ser um slogan. Precisa ser um plano com números, metas e fonte de recursos.

Quem usa o SUS não precisa de grife. Precisa de consulta marcada, exame no prazo e remédio na farmácia do posto. É por esse padrão que o eleitor vai medir a promessa.

A franqueza sobre o passado foi um bom começo. Falta a mesma franqueza sobre o futuro. Até o dia 25, Flávio precisa dizer quanto custa o SUS que promete e quem vai pagar por ele.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele defende um SUS “padrão Einstein”, com mais gestão privada para melhorar o atendimento. A campanha nega que vá congelar o piso da saúde e afirma que o estudo revelado pela Folha não está no plano de governo.

Fontes