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Flávio votou a favor da minirreforma trabalhista de 2021

Em setembro de 2021, o Senado derrubou a MP 1.045 por 47 votos a 27. Flávio ficou com a minoria que queria aprová-la e hoje promete proteger direitos.

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Flávio Bolsonaro, usando máscara cirúrgica, fala a jornalistas cercado por câmeras e microfones de emissoras.
Flávio Bolsonaro concede entrevista no Senado, em Brasília, em 12 de maio de 2021, durante a pandemia de covid-19.Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 1º de setembro de 2021, o Senado derrubou a Medida Provisória (MP) 1.045, apelidada de minirreforma trabalhista. Foram 47 votos contra e 27 a favor, segundo o portal DOL. Flávio Bolsonaro estava entre os 27 que queriam aprová-la.

Uma medida provisória é uma norma que o presidente edita com força de lei imediata. O Congresso tem prazo para confirmá-la ou rejeitá-la. Naquele dia, a maioria dos senadores rejeitou. Flávio, não.

O voto que o candidato não cita

Na campanha, Flávio fala em proteger o trabalhador. Seu plano de governo, no capítulo “Trabalho que compensa”, promete reduzir aos poucos o custo da contratação formal sem retirar direitos.

O histórico no Senado conta uma história mais complicada. Em 2019, ele votou a favor da reforma da Previdência, aprovada por 60 a 19, segundo a Agência Senado. Em 2021, votou pela minirreforma trabalhista que o próprio Senado barrou.

Não há nada de errado em defender reformas. Eu, como liberal, apoiei a da Previdência. O problema é outro. O candidato que hoje promete direitos tem um voto recente a favor de uma mudança trabalhista rejeitada por ampla maioria dos colegas.

Uma coluna de Matheus Leitão no Metrópoles registrou a crítica feita ao senador: ele promete direitos, mas votou contra eles. É um julgamento duro, feito por adversários. Mas o voto está no painel do Senado, com nome e partido.

O que vem por aí

O voto de 2021 ganha peso quando se olha para a equipe. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, foi relator da reforma trabalhista de 2017. Hoje, ele diz que aquela reforma precisa ser revisitada.

O plano registrado na Justiça Eleitoral vai na mesma linha. Fala em horários flexíveis, em negociação acima da lei e numa ampla revisão das regras trabalhistas. Também propõe um contrato de primeiro emprego mais barato para jovens de 18 a 24 anos.

Críticos comparam esse contrato à carteira verde e amarela, criada por Jair Bolsonaro em 2019 pela MP 905. A comparação vem da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. É justo registrar que não há declaração de Flávio prometendo ressuscitar aquela medida.

E há o capítulo mais recente. Em 14 de outubro, Flávio votou a favor do fim da escala 6x1 nos dois turnos, segundo a Exame. Isso conta a favor dele, e deve ser dito.

Mas até uma semana antes ele se opunha à mudança. E seus aliados ainda defendem um contrato por hora para 2027.

Por que isso importa

O eleitor de direita não é contra mudar as leis do trabalho. Muitos de nós achamos que elas engessam o pequeno empresário. Conhecemos o dono da padaria que não contrata mais um funcionário por medo do custo e da burocracia. Mas há uma diferença entre reformar com clareza e prometer uma coisa enquanto o histórico mostra outra.

O histórico também mostra pouca presença no momento das decisões. Segundo levantamento da Folha publicado pelo Estado de Minas, Flávio faltou a 43% das 49 votações nominais do Senado em 2026, até 22 de junho. A média da Casa era de 20%. Seu gabinete não respondeu.

Quem pede para comandar o país precisa mostrar o que fez com o mandato que já tem. Votos dados, e votos não dados, são a melhor amostra disponível.

O voto na MP 1.045 é um dado objetivo. É o tipo de informação que um candidato deveria explicar na campanha, com as próprias palavras, em vez de deixar para os adversários.

O mesmo vale para o que vem depois. Se a equipe quer revisitar a reforma de 2017, que diga o que pretende mudar. Se o contrato por hora está nos planos, que diga como protege o salário de quem ganha pouco.

Até o dia 25, o eleitor tem direito a essas respostas. Um candidato que promete direitos precisa explicar por que votou, em 2021, por uma mudança trabalhista que a maioria do Senado rejeitou.

O que diz Flávio Bolsonaro: o candidato afirma que seu plano reduz aos poucos o custo da contratação formal sem retirar direitos. Ele lembra que votou pelo fim da escala 6x1 nos dois turnos e prometeu, em 16 de outubro, não reverter a mudança se for eleito.

Fontes