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27 cheques para Michelle: o dinheiro de Queiroz que chegou à primeira-dama
Queiroz e a mulher depositaram R$ 89 mil em 27 cheques na conta de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2016. Jair fala em empréstimo; ninguém foi denunciado.
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Entre 2011 e 2016, Fabrício Queiroz e a mulher dele depositaram R$ 89 mil na conta de Michelle Bolsonaro. Foram 27 cheques, segundo registros bancários revelados em agosto de 2020 e noticiados pelo Poder360. Os depósitos terminaram anos antes de Michelle se tornar primeira-dama.
Queiroz não era um personagem qualquer. Ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ele estava no centro da investigação sobre a rachadinha, o esquema em que servidores de gabinete devolvem parte do salário.
A explicação oficial
Jair Bolsonaro deu uma explicação para os cheques. Seriam o pagamento de um empréstimo que ele havia feito a Queiroz. Os depósitos estão documentados. Ninguém foi denunciado por eles.
Esta revista registra as duas coisas com o mesmo cuidado. Os cheques existem. Uma acusação formal sobre eles, não. Mas o contexto em que aparecem obriga a perguntar.
Empréstimo entre amigos não é crime. Mas costuma deixar rastro: um contrato, uma transferência de ida, um valor combinado. Se houve empréstimo, os papéis que o comprovam encerrariam a dúvida. E 27 cheques ao longo de cinco anos formam um padrão de pagamento que merece mais do que uma frase.
O contexto que não some
Em dezembro de 2018, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mexeu com o caso. O Coaf é o órgão que monitora movimentações suspeitas. O relatório apontou cerca de R$ 1,2 milhão em transações atípicas na conta de Queiroz, em 2016 e 2017. Segundo o Metrópoles, outros assessores também depositavam dinheiro para ele.
Um ano depois, o Ministério Público (MP) do Rio foi além. Afirmou que Queiroz recebeu R$ 2,06 milhões em 483 depósitos de 13 assessores, 69% deles em dinheiro vivo. Disse ainda que ele sacou cerca de R$ 2,9 milhões em espécie, segundo A Gazeta.
O dinheiro de Queiroz também passou por despesas da família de Flávio. Em junho de 2020, um vídeo bancário obtido pelo MP mostrou Queiroz pagando em dinheiro mensalidades escolares das filhas de Flávio, segundo o Poder360. Em agosto, o próprio Flávio admitiu que Queiroz pagou contas pessoais suas, entre elas cerca de R$ 100 mil do plano de saúde da família. Disse que o dinheiro era dele mesmo.
Queiroz foi preso em junho de 2020 em Atibaia (SP), num imóvel de Frederick Wassef, então advogado de Flávio, segundo a CNN Brasil.
O que aconteceu com o caso
Nada disso foi julgado. O MP denunciou Flávio, Queiroz e mais 15 pessoas em 2020, segundo a Agência Brasil. Mas os tribunais anularam as provas centrais por falhas processuais.
Em 2022, a Justiça do Rio rejeitou a denúncia por se apoiar em provas anuladas, relatou o InfoMoney. As acusações caíram sem que ninguém examinasse o mérito.
É a distinção que esta revista não cansa de repetir. Anulado não é inocentado. E documentado, como no caso dos cheques, não é o mesmo que denunciado.
Por que importa agora
A família Bolsonaro pede de novo a confiança do país, desta vez com Flávio como candidato. O eleitor tem o direito de olhar o conjunto.
Esta revista não acusa Michelle de nada. Os cheques entram nesta história porque saíram da conta de Queiroz, o assessor que está no centro do caso de Flávio.
Um assessor que recebia depósitos de colegas de gabinete. O mesmo assessor pagando escola e plano de saúde da família do chefe. E 27 cheques dele e da mulher na conta de quem viria a ser primeira-dama.
Cada fato, isolado, tem uma explicação oferecida pela família. Juntos, desenham um padrão que nunca foi esclarecido num tribunal. E não por falta de perguntas, mas porque as provas foram anuladas antes de qualquer julgamento.
Nenhum desses fatos é segredo. Estão em registros bancários, em decisões judiciais e nas próprias palavras de Flávio. O que falta é a explicação completa.
A direita que defendeu a Lava Jato aprendeu a seguir o dinheiro. Não pode desaprender quando o dinheiro passa pela família que hoje pede os seus votos. No dia 25, essa memória também deveria ir à urna.
O que diz a família Bolsonaro: Jair Bolsonaro afirma que os cheques de Queiroz para Michelle pagavam um empréstimo que ele havia feito ao ex-assessor. Flávio nega que tenha existido esquema, diz que Queiroz agiu sozinho e que as provas foram obtidas ilegalmente, em um caso que considera perseguição política.
Fontes
- Depósitos de Queiroz na conta de Michelle Bolsonaro — Poder360
- Fabrício Queiroz fez saques de R$ 661 mil em 18 meses, segundo Coaf — Metrópoles
- Queiroz recebeu R$ 2 milhões em depósitos de 13 indicados por Flávio, diz MP — A Gazeta
- MP-RJ obteve imagens de Queiroz pagando boletos de Flávio Bolsonaro — Poder360
- Flávio Bolsonaro admite que Queiroz pagava suas contas e critica Lava Jato — Congresso em Foco
- Rachadinha, relação com a família Bolsonaro e prisão: entenda o caso Queiroz — CNN Brasil
- MP do Rio denuncia 17 investigados por lavagem de dinheiro e peculato — Agência Brasil
- TJ-RJ rejeita denúncia contra Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas — InfoMoney