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Segundo turno decidiu 7 das 9 eleições presidenciais desde 1989
Desde 1989, a eleição presidencial foi ao segundo turno sete vezes, e o líder do primeiro turno venceu todas elas; o próximo é em 25 de outubro.
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Em 1989, o eleitor escolheu presidente pela primeira vez sob a Constituição de 1988. Ninguém chegou à maioria no primeiro turno. Fernando Collor e Lula foram ao segundo turno, em 17 de dezembro, e Collor venceu.
Em 2026, a eleição vai ao segundo turno pela oitava vez desde 1989. No domingo, 25 de outubro, Flávio Bolsonaro e Lula disputam a etapa final. Na primeira votação, em 4 de outubro, Flávio teve cerca de 47% dos votos válidos e Lula, cerca de 45%, segundo o Congresso em Foco.
Como a regra funciona
O artigo 77 da Constituição define a regra. Segundo o texto, é eleito quem obtiver “a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos”. Se nenhum candidato chegar a essa marca, os dois mais votados disputam novo turno, e vence quem tiver a maioria dos votos válidos.
Votos válidos são os votos dados a candidatos. Brancos e nulos ficam fora da conta. Um ponto percentual (p.p.) é a diferença entre duas porcentagens, não a variação entre elas.
Sete segundos turnos, e o líder sempre venceu
Entre 1989 e 2022, houve nove eleições presidenciais. Em 1994 e em 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu já na primeira votação. Nas outras sete, houve segundo turno, e o líder do primeiro turno venceu cada uma delas.
A tabela mostra os percentuais de cada eleição. A coluna da direita é uma conta nossa: a diferença entre os dois finalistas no segundo turno, em pontos percentuais.
Líder do primeiro turno e resultado final, de 1989 a 2022 Percentual dos votos válidos; diferença calculada pela redação
| Ano | Líder no 1º turno | Resultado final | Diferença no 2º turno (p.p.) |
|---|---|---|---|
| 1989 | Collor, 30,48% | 2º turno: Collor 53,03% x Lula 46,97% | 6,06 |
| 1994 | FHC, 54,28% | Venceu no 1º turno | — |
| 1998 | FHC, 53,06% | Venceu no 1º turno | — |
| 2002 | Lula, 46,44% | 2º turno: Lula 61,27% x Serra 38,73% | 22,54 |
| 2006 | Lula, 48,61% | 2º turno: Lula 60,83% x Alckmin 39,17% | 21,66 |
| 2010 | Dilma, 46,91% | 2º turno: Dilma 56,05% x Serra 43,95% | 12,10 |
| 2014 | Dilma, 41,59% | 2º turno: Dilma 51,64% x Aécio 48,36% | 3,28 |
| 2018 | Bolsonaro, 46,03% | 2º turno: Bolsonaro 55,13% x Haddad 44,87% | 10,26 |
| 2022 | Lula, 48,43% | 2º turno: Lula 50,90% x Bolsonaro 49,10% | 1,80 |
Fonte: Bahia Notícias, com dados do TSE (4/10/2026), e reportagens citadas em Fontes. Diferenças calculadas pela redação.
A menor diferença entre os finalistas foi em 2022, com 1,80 p.p. A segunda menor foi em 2014, com 3,28 p.p. Em 2002 e 2006, a vantagem do vencedor ficou acima de 20 p.p.
Os dois casos mais apertados mostram como o segundo turno muda a conta. Em 2014, Dilma começou com 41,59% dos votos válidos e terminou com 51,64%. Em 2022, Lula também liderou a primeira votação, com 48,43%, e venceu o segundo turno por 1,80 p.p. A regra não diz quem é o favorito. Ela diz quem chega ao fim com a maioria dos votos válidos.
O que o segundo turno pede do eleitor
O segundo turno reduz a disputa a dois nomes. Isso não diminui a responsabilidade do voto. Ele exige que o eleitor compare duas propostas completas, e não apenas escolha o nome que liderou a primeira etapa.
Na primeira votação de 2026, a diferença entre os dois primeiros foi de cerca de dois pontos percentuais, como mostram os números da apuração. Quando a disputa é apertada, cada voto pesa mais. A escolha passa a depender do que o eleitor considera prioritário para o próximo governo.
O que diz o TSE: o tribunal publica os resultados oficiais de cada turno em seu portal de resultados. Em 2022, o TSE proclamou os eleitos com 60.345.999 votos para Lula (50,9% dos válidos) contra 58.206.354 para Bolsonaro (49,1%).
O que isso significa
A regra de dois turnos não garante que o primeiro colocado leve a eleição, mas nas sete vezes em que foi usada, o líder da primeira votação venceu. Isso não quer dizer que o resultado esteja decidido antes. Em 25 de outubro, a escolha é entre os dois finalistas, e os votos válidos decidem.
Como fizemos: usamos os percentuais do primeiro turno do Bahia Notícias, com dados do TSE, e os do segundo turno de reportagens citadas em Fontes e da proclamação do TSE em 2022, acessados em 21 de outubro de 2026. A diferença em pontos percentuais é nosso cálculo sobre os percentuais publicados. O percentual de 1989 foi conferido a partir dos votos publicados pelo Georgetown PDBA, e o de 2010 vem de uma única fonte. Os números de 2026 são parciais: os percentuais variaram durante a totalização, por isso usamos valores arredondados.
Fontes
- Desde 1989, quem ganha o primeiro turno para presidente vence também o segundo — Bahia Notícias
- De 1989 a 2026: quantos votos Lula teve em cada eleição presidencial — O Povo
- Flávio Bolsonaro e Lula vão ao segundo turno da eleição presidencial — Congresso em Foco
- Quando, afinal, há segundo turno em uma eleição — Escola Judiciária Eleitoral do TSE
- TSE proclama eleitos presidente e vice-presidente da República — TSE
- Plenário do TSE proclama resultado definitivo do segundo turno da eleição presidencial de 2014 — TSE
- Presidente Dilma Rousseff é reeleita com 51,64% dos votos — Agência Senado
- TSE: Lula foi reeleito com 60,83% dos votos válidos — Congresso em Foco
- Bolsonaro e Haddad: resultado do segundo turno de 2018 — Folha BV
- Dilma será confirmada com 56,05% dos votos válidos — Sul21
- Eleição presidencial de 1989, resultados — Georgetown University, PDBA


