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Por que 'Flávio Comando Vermelho' virou busca, e o que o TSE decidiu
A busca foi convocada por Janones após o debate. O TSE já removeu post que ligava Flávio ao CV e posts dele ligando Lula a facções. O que pesa são os aliados.
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Às 22h10 de domingo (18), logo depois do debate da Band, o deputado André Janones deu uma ordem. O destino foi o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, com cerca de 5,4 milhões de membros. Ele pediu que todos pesquisassem certos termos sobre Flávio Bolsonaro. As buscas por “Flávio miliciano” passaram de 500 mil, e as por “Flávio Comando Vermelho”, de 100 mil, segundo o Poder360.
Ou seja, a busca não explodiu sozinha. Foi convocada. Isso não diz nada sobre os fatos, mas diz muito sobre a militância.
Buscas na internet medem curiosidade, não culpa. Quando são encomendadas, medem ainda menos: medem a disciplina de um grupo de militantes. Tratar esse número como prova de qualquer coisa é cair na mesma armadilha que a direita tantas vezes denunciou.
O que o TSE decidiu
Três dias antes, em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tinha tomado uma decisão que vale lembrar. Manteve a remoção de uma publicação que associava Flávio ao Comando Vermelho (CV), por falta de base factual. O PL informou que o inquérito citado no post foi arquivado em 2022.
Uma semana antes, em 8 de outubro, o mesmo TSE havia mandado apagar, por unanimidade, três posts do próprio Flávio na rede X. Um trazia uma imagem de Lula feita com inteligência artificial, sem aviso. Os outros dois ligavam Lula ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao CV sem base nos fatos.
A régua foi a mesma nos dois casos. Ligar um candidato a uma facção criminosa sem prova não é crítica. É desinformação, e o tribunal tratou assim os dois lados.
O que está documentado
Não há prova de ligação pessoal de Flávio com o Comando Vermelho. Quem afirma isso está errado. E se coloca no mesmo lugar dos posts que o próprio Flávio teve removidos.
O que existe são aliados acusados pela Polícia Federal (PF). Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, é acusado de vazar informações de uma operação ao CV. Segundo o JB, o relatório final da PF diz que ele ocupava a liderança do “núcleo político” da facção. Seus advogados chamam a acusação de arbitrária.
Bacellar foi indiciado em fevereiro, denunciado por obstrução e preso de novo em março. Em maio de 2025, Flávio sinalizou apoio a ele como sucessor do governador Cláudio Castro, segundo o Diário do Rio.
Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado eleito, foi preso em 15 de outubro. Segundo a PF, ele liderava um grupo que lavou cerca de R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustível. Um áudio da investigação mostra um capitão da polícia negociando barricadas com líderes do CV e dizendo ter influência na prefeitura dele, relatou o TMC. Em abril, Flávio declarou “apoio integral, 100%” a Canella para o Senado, segundo a CartaCapital.
A diferença que importa
A frase certa, portanto, não é que Flávio pertence ao CV. É que aliados apoiados por Flávio são acusados pela PF de ligação com a facção. A diferença parece pequena. Não é.
A primeira frase foi removida pelo TSE e não se sustenta. A segunda está documentada e é grave o bastante. Para quem se apresenta como candidato da lei e da ordem, apoiar quem a polícia acusa de servir ao crime é um erro sério de julgamento político.
Nós, que defendemos a polícia, não precisamos de mentira para criticar Flávio. Precisamos de memória. A militância que, a pedido de Janones, inunda as buscas com acusações sem prova faz o mesmo que Flávio fez contra Lula em 8 de outubro. E o TSE, com razão, removeu tanto o post que ligava Flávio ao CV quanto os dele contra Lula.
Essa distinção também protege quem critica. Uma acusação falsa vira processo, vira remoção e vira argumento para o candidato. Um fato bem documentado, ao contrário, resiste a qualquer tribunal.
O eleitor de direita deveria exigir as duas coisas. Que Flávio explique por que apoiou Bacellar e Canella. E que seus adversários parem de inventar o que não está nos autos.
O que diz Flávio Bolsonaro: ele disse ter sido surpreendido pelas prisões de Canella e Bacellar e afirmou que os acusados têm direito à defesa. Segundo o Metrópoles, declarou que quem tiver ligação comprovada com o PCC ou o CV deve pagar “dentro da lei”.
Fontes
- Janones impulsiona buscas negativas sobre Flávio após debate na Band — Poder360
- TSE mantém remoção de publicação que associa Flávio Bolsonaro a organizações criminosas — TSE
- TSE manda Flávio apagar vídeos com IA que associam Lula a facções — CNN Brasil
- Bolsonarista Bacellar atua como liderança do núcleo político do Comando Vermelho, diz PF — JB
- Com apoio de Flávio Bolsonaro, Bacellar ganha força como sucessor de Castro no RJ — Diário do Rio
- Canella é investigado por vínculo com a milícia e acordos com o Comando Vermelho — TMC
- “Competente, amigo, sabe trabalhar”: os elogios de Flávio Bolsonaro a Márcio Canella, preso pela PF — CartaCapital
- Flávio se diz surpreso com prisão de aliados no RJ: “pagar dentro da lei” — Metrópoles


