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Em 2025, Flávio disse que partes da Petrobras podiam ser privatizadas

À Reuters, em dezembro de 2025, Flávio disse que as partes da Petrobras que não funcionam poderiam ser privatizadas. Hoje, chama o tema de 'boataria'.

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Artigos de opinião expressam a visão de seus autores, identificados pelo nome, não necessariamente a da Revista Nação.

Vista panorâmica de uma refinaria de petróleo, com torres e chaminés ao fundo, entre casas e vegetação, sob céu claro.
Refinaria Gabriel Passos (Regap), da Petrobras, em Ibirité (MG), em abril de 2010.Foto: Altair Mendes / Panoramio / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Em 22 de dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro deu uma entrevista à agência Reuters sobre o Estado que gostaria de governar. Defendeu um governo enxuto e privatizações para modernizá-lo, relatou o InfoMoney. Sobre a Petrobras, disse que a empresa era complexa demais. As partes que funcionam deveriam ficar; as que não funcionam poderiam ser privatizadas.

Dez meses depois, o mesmo Flávio chama de “boataria” qualquer conversa sobre privatizar a estatal, segundo o InfoMoney. A frase de dezembro não sumiu. Apenas deixou de ser citada pelo candidato.

Entre uma fala e outra, houve uma escala. Em fevereiro de 2026, ele disse que uma empresa estratégica e de monopólio não pode simplesmente ser vendida, segundo o eixos. Foi uma mudança de tom, não uma retratação explicada ao eleitor.

O que a frase significa

Escrevo como liberal, sem nenhum apego sentimental a estatais. Por isso mesmo, levo a sério o que a frase de dezembro quer dizer.

Vender partes não é uma abstração. A Petrobras é um conjunto de negócios, e cada parte pode ser vendida separadamente, sem que a marca mude de dono. É assim que uma estatal encolhe sem que ninguém precise anunciar sua privatização.

Foi desse jeito, aliás, que parte do refino saiu das mãos da estatal no governo de Jair Bolsonaro. A refinaria de Manaus, a Ream, foi vendida nesse período. Segundo o Brasil de Fato, veículo de esquerda, refinarias privatizadas como ela cobram preços iguais ou acima da paridade de importação, a regra que segue o preço internacional do combustível.

O plano não fecha a porta

O plano de governo registrado em 13 de agosto não cita a Petrobras. Mas retoma o Programa Nacional de Desestatização caso a caso, sem lista de empresas, segundo o eixos. Também propõe rever a Lei das Estatais e ampliar o mercado de gás e o fracking, a extração de gás por meio do fraturamento de rochas.

Os auxiliares reforçam a ambiguidade. Em 18 de agosto, o coordenador Rogério Marinho disse que não há plano de privatizar a Petrobras, mas que a venda de ativos não está descartada, segundo a CNN Brasil. Em 25 de agosto, o conselheiro de energia Adriano Pires afirmou que uma capitalização poderia ser debatida, embora não esteja no programa, relatou o SBT News.

Capitalização é a venda de novas ações ao mercado. Dependendo do formato, ela reduz a fatia do governo na empresa.

Some as peças. Vender ativos não está descartado, capitalizar pode ser debatido e o programa de privatizações volta caso a caso.

Cada frase, isolada, parece inofensiva. Juntas, descrevem exatamente o que Flávio disse à Reuters em dezembro.

Liberal de dia, estatista à noite

Vamos aos fatos que favorecem Flávio. Ninguém mostrou um plano dele para vender a Petrobras inteira. Dizer que ele vai privatizar a empresa é ir além do que o registro sustenta. E a previsão de gasolina a R$ 12 ou R$ 15 num governo dele não tem comprovação, segundo o Quenty.

Mas o registro sustenta outra coisa. Flávio já falou em vender partes da Petrobras e hoje, por meio da equipe, não descarta a venda de ativos. Ao mesmo tempo, chama o tema de boato.

Muitos liberais defendem vender a Petrobras, e eu respeito essa posição. O que não dá para respeitar é a dupla face. Em dezembro, para uma agência internacional de notícias, um Flávio reformista. Em outubro, para o eleitor do segundo turno, um Flávio que nunca pensou nisso.

Há ainda um custo para o próprio liberalismo. Quando o candidato que diz representá-lo foge do tema, passa a mensagem de que privatizar é algo vergonhoso, que precisa ser escondido. Isso enfraquece quem defende a ideia de boa-fé.

O eleitor merece saber qual dos dois governaria. Se a ideia de dezembro continua de pé, que seja defendida às claras. Se foi abandonada, que se diga por quê.

Chamar de boataria um tema que ele mesmo levantou não é resposta. É fuga. E a direita que se diz séria não deveria aceitar fuga como programa de governo.

O que diz Flávio Bolsonaro: ele afirma que não vai privatizar a Petrobras e chama o tema de “boataria”, acusando Lula de usar a estatal eleitoralmente. Sua equipe diz que a Petrobras é estratégica e que não há plano para privatizá-la.

Fontes