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Flávio chamou de detalhezinho o fim da marcação de munição
O projeto que acaba com a marcação de munições tira da polícia uma ferramenta de rastreio, e Flávio o chamou de detalhezinho.
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No dia 16 de outubro, durante uma sabatina, o senador Flávio Bolsonaro chamou de “detalhezinho” o projeto que acaba com a marcação de munições. Para quem combate o crime, esse detalhe é o que ajuda a rastrear a origem de um cartucho usado num crime. Nós, que defendemos a polícia, não podemos tratar isso como detalhe.
O projeto é o PL 3.723/2019, que acabaria com o dever de marcar a munição. Marcar é tornar o cartucho rastreável, para que a polícia consiga seguir a sua origem depois de um crime. Em março de 2022, Flávio pressionou a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a votar o texto rapidamente, com a redação original.
Armas e munição: o que os dados mostram
O Instituto Sou da Paz encontrou que a maior parte da munição de fuzil associada ao Comando Vermelho (CV) é fabricada no Brasil. Cerca de metade dessa munição tinha sinais de desvio de estoques do Estado. A informação foi publicada pelo Brasil de Fato, veículo de esquerda, e por isso deve ser lida com essa origem em mente.
Esse dado explica por que a marcação importa. Se a munição sai de um estoque público e chega ao crime, a polícia precisa de uma forma de seguir o caminho. Tirar essa ferramenta reduz a chance de rastrear o desvio.
Os decretos de armas também pesam nessa conta. Em junho de 2019, Flávio votou para manter os decretos do pai que facilitaram a posse e o porte de armas. O Senado derrubou os decretos por 47 votos a 28.
Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) estimou que 6.379 vidas poderiam ter sido poupadas em 2019 a 2021 sem os decretos. Essa é uma estimativa do estudo, não uma contagem de mortes. O mesmo trabalho associa cada 1% de aumento na circulação de armas a um aumento de 1,1% nos homicídios.
O plano de governo de Flávio, por ora, trata de armas de uso policial. Em 7 de outubro, porém, ele disse que a defesa pessoal do cidadão com arma precisa voltar. O tema da arma civil segue na pauta, mesmo fora do texto do plano.
O que Flávio também fez
Há votos a favor dele que precisam entrar nessa conta. Em dezembro de 2025, ele votou sim ao projeto antifacção, que o Senado aprovou por 64 votos a zero. Em fevereiro de 2024, foi relator do projeto que elimina a saída temporária de presos em feriados, a chamada saidinha, aprovado por 62 votos a 2.
Isso não anula a questão da munição. Aprovar punição para facções é uma coisa. Enfraquecer a ferramenta que rastreia munição desviada de estoques do Estado é outra. Um candidato da lei e da ordem precisa explicar como as duas coisas cabem no mesmo projeto.
Flávio e a marcação de munição, em datas Registros citados no texto, de 2019 a 2026
| Data | Registro |
|---|---|
| jun 2019 | Vota para manter os decretos de armas do pai; Senado derruba os decretos por 47 a 28 |
| mar 2022 | Pressiona a CCJ a votar o PL 3.723/2019 rapidamente, com o texto original |
| fev 2024 | Relator da saidinha, aprovada por 62 a 2 |
| dez 2025 | Vota sim ao projeto antifacção, aprovado por 64 a 0 no Senado |
| 16 out 2026 | Chama de detalhezinho o projeto que acaba com a marcação de munição |
Fonte: Senado, Congresso em Foco, Metrópoles e reportagens listadas em Fontes. Elaboração: redação.
O que diz Flávio Bolsonaro: no dia 16 de outubro, ele chamou de “detalhezinho” o projeto que retira a marcação de munições, segundo o Metrópoles. Nas fontes que consultamos, não encontramos explicação dele sobre por que a marcação deveria acabar.
O que isso significa
A marcação de munição não resolve o crime sozinha. Mas tirar do Estado uma forma de rastrear cartuchos vai na contramão de quem diz combater o crime organizado com a polícia. O eleitor de direita que valoriza a polícia precisa olhar para esse ponto junto com as propostas de endurecimento de pena.
O argumento a favor da marcação não é ideológico. É técnico: sem a marca, a polícia perde um ponto de partida para investigar cartuchos desviados. Quem defende a polícia não deveria aceitar essa perda sem uma explicação.
O projeto ainda pode ser discutido, e a posição de Flávio sobre o texto final não aparece nas fontes. O que está documentado é o voto de 2019, o pedido de 2022 e a expressão usada em 2026.
Domingo, dia 25, a segurança pública entra na disputa com fatos concretos. Quem se apresenta como candidato da polícia precisa dizer se mantém a marcação de munição ou se a vê como detalhe.
Como fizemos: Usamos o dossiê da redação sobre a política de segurança de Flávio Bolsonaro e as reportagens listadas em Fontes. Os números do estudo do FBSP são estimativas do próprio estudo, citadas sem cálculo nosso. Os dados do Instituto Sou da Paz chegam pelo Brasil de Fato, veículo de esquerda, e não foram conferidos no relatório original. Os votos são os registrados pelo Senado e pelas reportagens citadas.
Fontes
- Cartuchos sem registro: entenda projeto citado na sabatina de Flávio — Congresso em Foco
- Flávio chama de “detalhezinho” projeto para retirar marcação de munições — Metrópoles
- Como plano de Flávio Bolsonaro para liberar armas abasteceria facções — Brasil de Fato (veículo de esquerda)
- Veja como votou cada senador sobre decretos de porte e posse de armas — O Tempo
- Estudo do FBSP avalia impacto dos decretos de armas sobre os homicídios — Fonte Segura (FBSP)
- Senado aprova PL das saidinhas que elimina saída de presos em feriados — Congresso em Foco
- Veja os senadores que garantiram votação unânime do PL antifacção — Gazeta do Povo



