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Flávio apagou o post do tarifaço e os posts sobre o Bolsa Família
Flávio Bolsonaro agradeceu a Trump pelo tarifaço, apagou o post e deletou críticas antigas ao Bolsa Família; ensaio sobre o rastro que some.
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Em 9 de julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro agradeceu publicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo tarifaço de 50% contra produtos brasileiros. A publicação foi no X. Depois, ele disse à CNN Brasil: “me arrependi da postagem”. E apagou.
Não foi o único registro que saiu do ar. O ICL Notícias, site de notícias identificado com a esquerda, relatou que publicações de Flávio de 2010 a 2013 também não estão mais no perfil. Nelas, segundo o site, ele ligava o Bolsa Família à compra de votos e defendia um limite de dois anos em um programa social do Rio de Janeiro.
O gesto e o padrão
Repare no que os dois casos têm em comum. Os temas não poderiam ser mais distantes: uma tarifa dos Estados Unidos contra o Brasil, de um lado; um programa social brasileiro, de outro. O gesto é o mesmo — a borracha. E o efeito é o mesmo: o eleitor de 2026 recebe um passado editado, no qual as posições incômodas simplesmente não existiram.
O tarifaço, aliás, não era assunto pequeno. Em agosto de 2025, o governo federal criou o Plano Brasil Soberano, com R$ 30 bilhões em crédito para exportadores atingidos, segundo a Agência Brasil. Agradecer publicamente a um imposto contra o Brasil era, portanto, uma posição — e das que se discutem. Para uma direita que prega Deus, pátria e família, era uma contradição: a pátria não agradece o imposto que a castiga.
O próprio Flávio acabou reconhecendo, um ano depois, o tamanho do problema. Em julho de 2026, ele foi a Washington pedir ao governo americano a suspensão das tarifas, segundo a Band. O homem que agradecera pelo tarifaço em 2025 foi, em 2026, interceder contra ele. O post que explicava o que ele pensava já não existia mais.
De justiça: no caso do tarifaço, houve explicação. Ele disse que se arrependeu, à CNN Brasil, e a frase ficou registrada. É mais do que se vê nas publicações sobre o Bolsa Família relatadas pelo ICL Notícias. Destas, não se conhece arrependimento declarado, contexto ou defesa — só a ausência.
Memória é ferramenta de voto
Mudar de ideia não me escandaliza. Político que nunca muda de opinião em dez anos não cresceu; apenas repetiu. O caminho honesto é sempre o mesmo: dizer “eu pensava assim, mudei”, com o antes e o depois à vista. O arrependimento explicado é virtude; o rastro apagado é outra coisa — a tentativa de nascer de novo a cada eleição.
Hoje, a posição documentada sobre o Bolsa Família é outra. Em 8 de outubro, Flávio disse que manteria o programa e ampliaria os benefícios se eleito, segundo O Tempo. É uma mudança que ele tem todo o direito de defender em público. Mas quem quiser conferir o trajeto encontra páginas em branco.
Há uma diferença entre apagar e desmentir. Quem desmente deixa o texto em pé e o contradiz, palavra por palavra. Quem apaga remove a peça do tabuleiro e declara o jogo encerrado. Um post de candidato a presidente não é diário íntimo: é documento público, feito para convencer, cobrado pelo adversário e arquivado pela imprensa.
A internet, em tese, nunca esquece. O eleitor comum, porém, não vasculha arquivo morto. Na prática, o que não está no perfil, para quem decide o voto, nunca existiu. Quem apaga não corrige o passado: transfere ao eleitor o custo de não poder conferi-lo.
Um segundo turno é, por definição, um teste de memória coletiva. Restam dois nomes e o histórico de cada um. O eleitor de 25 de outubro julga trajetórias, não só discursos. E trajetória com buracos não é passado limpo: é passivo escondido.
Não defendo aqui o Lula, nem peço isso a ninguém. Defendo um princípio simples, que esta casa aplica a todos: quem pede o comando do país entrega o histórico inteiro, inclusive o incômodo. A pergunta que fica não é o que Flávio pensava em 2010 ou agradecia em 2025. É o que mais vai apagar se a palavra, a partir de janeiro, for dele.
O que diz Flávio Bolsonaro: sobre o tarifaço, ele disse à CNN Brasil que “me arrependi da postagem” — e apagou a publicação. Sobre o Bolsa Família, disse em 8 de outubro que manteria o programa e ampliaria os benefícios se for eleito, segundo O Tempo.
Fontes
- Flávio Bolsonaro, à CNN: “me arrependi da postagem” sobre tarifas de Trump — CNN Brasil
- Flávio também agradeceu a Trump por tarifas, em 2025 — SBT News
- Flávio apaga publicações atacando o Bolsa Família — ICL Notícias
- Flávio rebate Lula, nega fim do Bolsa Família e promete ampliar benefícios — O Tempo
- Plano Brasil Soberano: medidas para exportadores atingidos pelo tarifaço — Agência Brasil
- Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos para audiência sobre tarifas — Band